Resident Evil Requiem já está entre nós, e junto com ele chega uma das mudanças mais curiosas da franquia. Pela primeira vez em um título principal, o jogador pode alternar livremente entre a câmera em primeira pessoa, popularizada em Resident Evil 7 e Village, e a clássica visão em terceira pessoa. A liberdade é total, mas a escolha da perspectiva altera de forma significativa a sensação de jogo.
Logo ao iniciar a campanha, o game apresenta uma configuração padrão bastante reveladora. Grace Ashcroft surge com câmera em primeira pessoa, enquanto Leon S. Kennedy assume o enquadramento em terceira pessoa. Essa decisão não é estética, e sim estrutural. Cada personagem foi pensado para transmitir emoções diferentes, o que fica evidente nos primeiros minutos.
As seções de Grace carregam uma atmosfera mais tensa, íntima e imprevisível. A visão em primeira pessoa reduz o campo de percepção, aumenta a sensação de vulnerabilidade e intensifica o terror psicológico. O jogador enxerga apenas o que está à frente, o que transforma corredores, sons distantes e movimentos sutis em fontes constantes de ansiedade. É um estilo que conversa diretamente com a proposta da personagem.
Leon, por outro lado, representa controle, ação e leitura de ambiente. A câmera em terceira pessoa amplia a consciência espacial, facilita o gerenciamento de ameaças e reforça o dinamismo dos confrontos. O enquadramento favorece combates mais agressivos, reação rápida e movimentação estratégica, características historicamente associadas ao personagem.
Seguir essa configuração inicial costuma oferecer uma experiência mais fluida. O ritmo da narrativa, a construção de tensão e até o design dos encontros parecem calibrados para esse equilíbrio. Em vários momentos envolvendo Grace, a limitação visual faz parte do desafio, ampliando o suspense e elevando o impacto dos eventos inesperados.
Ainda assim, Resident Evil Requiem não impõe restrições. A troca de câmera pode ser feita a qualquer momento pelo menu, sem punições, bloqueios ou perda de conquistas. Nenhum troféu é afetado, o que transforma a mecânica em uma ferramenta genuína de personalização.
Para jogadores que enfrentam dificuldades, especialmente nos trechos mais angustiantes, a terceira pessoa pode tornar a progressão mais confortável. O campo de visão maior ajuda a identificar perigos fora do enquadramento direto, reduz sustos injustos e melhora a leitura de movimentação inimiga. Na prática, a mudança altera o nível de pressão sem comprometer a história.
A perspectiva em primeira pessoa, apesar de extremamente imersiva, não é obrigatória para compreensão narrativa. Diferente de Resident Evil 7, que possuía forte identidade ligada a esse formato, Requiem foi concebido para funcionar plenamente em ambas as visões. A decisão final depende mais do estilo do jogador do que de exigências técnicas.
Para quem pretende revisitar o game futuramente, experimentar combinações diferentes pode renovar completamente a experiência. Jogar novamente com Grace em terceira pessoa, por exemplo, modifica o ritmo, a percepção de risco e até a forma como o terror é absorvido.
No fim das contas, não existe escolha errada. Resident Evil Requiem foi construído para acomodar preferências distintas, algo raro em jogos de horror. Essa flexibilidade não apenas amplia a acessibilidade como também pode atrair uma nova geração de fãs, dividida entre o terror claustrofóbico da primeira pessoa e a abordagem cinematográfica da terceira.
O que você acha? Comente com a gente logo abaixo, compartilhe com os amigos e fique ligado no Avance Games para não perder nenhuma novidade!











