Nem todo jogo nasce pronto. Alguns precisam de tempo, correções e, principalmente, do contexto certo para serem apreciados. É exatamente esse o caso de Star Wars Outlaws, que acaba de ser anunciado para entrar no Xbox Game Pass em janeiro e, olha… talvez agora seja o melhor momento para dar uma chance a ele.
Para quem assina o serviço, o jogo fica disponível a partir do dia 13 e chega como aquele típico blockbuster que você testa “sem compromisso” e acaba ficando bem mais tempo do que imaginava. Ainda mais em um catálogo cheio de experiências curtas, é até bom ter algo grande, ambicioso e com fôlego de sobra.
E sim, ele merece essa segunda rodada.
Quando foi lançado em 2024, Outlaws não caiu nas graças de muita gente. Parte disso vem de um cansaço natural com Star Wars. Parte, sem dúvida, foi culpa do próprio jogo, que chegou com decisões estranhas, problemas técnicos e mecânicas que não conversavam bem entre si. IA irregular, furtividade forçada e uma sensação de que algo ali não estava totalmente encaixado.
Só que o tempo passou. E a Ubisoft trabalhou.

Hoje, jogar Star Wars Outlaws é uma experiência bem diferente daquela do lançamento. Os patches ajustaram o ritmo, suavizaram a furtividade e deixaram o combate mais solto. Não existe mais aquela punição imediata ao ser visto. Se tudo der errado, dá pra resolver no blaster — o que combina muito mais com a proposta da protagonista.
Aqui, você controla Kay Vess, uma ladra de baixo escalão tentando sobreviver em meio a sindicatos criminosos, sempre à procura do próximo grande golpe. Nada de sabres de luz, profecias ou jedis. É um Star Wars pé no chão, focado em contrabando, reputação e escolhas cinzentas. Ao lado do carismático Nix, Kay navega por planetas familiares, mas vistos de um ângulo diferente.
Cada mundo tem sua própria vibe. Há centros poeirentos cheios de informantes, cantinas esfumaçadas, perseguições em speeder e tiroteios improvisados. O jogo brilha especialmente na ambientação. Existe uma sensação real de estar visitando lugares vivos, onde as coisas acontecem com ou sem você.
O sistema de reputação também ajuda nisso. Cada contrato afeta como as facções te enxergam. Se você pisa na bola com alguém, prepare-se para ser caçado ao entrar em certos territórios. Isso dá peso às decisões e cria tensão constante.
Claro, o “loop Ubisoft” está ali. Missões que se repetem, atividades espalhadas pelo mapa, progressão baseada em desafios. Para alguns, isso é confortável. Para outros, cansativo. Vai muito do gosto pessoal. A diferença é que aqui esse ciclo faz mais sentido dentro do universo do jogo, especialmente com habilidades que só liberam quando você realmente se envolve com aquele mundo.
No fim das contas, Star Wars Outlaws talvez nunca tenha sido um jogo ruim. Só chegou cedo demais. No Game Pass, sem custo extra e com tudo mais redondo, ele finalmente encontra o cenário ideal para ser descoberto — ou redescoberto.
E, sinceramente? Vale o teste.







