Final Fantasy 16 Review sem filtro: Vale Mesmo o Seu Tempo?

Visual impecável, história irregular e batalhas repetitivas marcam o novo capítulo da Square Enix.

Eu estava genuinamente animado para finalmente jogar Final Fantasy XVI. Mesmo não sendo exatamente um fã incondicional da franquia, carrego boas memórias com a série, experiências que sempre deixaram uma marca positiva e me fizeram querer acompanhar cada novo capítulo. Existe algo em Final Fantasy que sempre promete grandeza, algo que parece importante e que me puxem de volta.

Final Fantasy XVI também prometia isso. Ambição. Escala. Um tom mais adulto. E, de certa forma, ele entrega tudo isso. Ao mesmo tempo, é profundamente contraditório em quase tudo o que se propõe a fazer. E essa contradição acabou me decepcionando de uma forma que eu não imaginava. A nova entrada numerada da Square Enix abandona a fantasia tecnológica recente e abraça de vez a alta fantasia medieval, com reinos em guerra, intrigas políticas, cristais místicos e criaturas colossais chamadas Eikons.

O resultado é um épico sombrio que frequentemente impressiona em cutscenes bem dirigidas, mas que também tropeça sob o próprio peso narrativo e estrutural, em missões repetitivas, combate superficial e personagens que raramente entregam o que a proposta inicial prometia.

Uma história que promete maturidade, mas se perde no caminho

Final Fantasy 16 Review Analise Avance Games 02

A trama acompanha Clive Rosfield, filho de uma família nobre cuja vida é destruída por tragédias e conflitos políticos. Consumido pela vingança, ele atravessa um continente devastado por guerras entre ducados e impérios que disputam poder em torno dos Cristais-Máter.

O jogo vende, desde o início, a ideia de algo mais adulto, claramente inspirado em Game of Thrones. Nas primeiras duas ou três horas, essa proposta funciona. O clima é pesado, as decisões parecem ter consequências reais, e a violência ajuda a estabelecer um mundo brutal e sem romantizações.

O problema é que, quanto mais a campanha avança, mais evidente se torna a fragilidade do texto. Existe uma boa base conceitual, mas a execução raramente acompanha a ambição. Muitos diálogos soam expositivos demais, repetitivos ao extremo, quase como se o jogo tivesse medo de que o jogador não estivesse prestando atenção. Personagens explicam o que está acontecendo, depois explicam o que vai acontecer, e às vezes ainda explicam o que acabou de acontecer.

Há momentos em que a sensação é curiosa: uma história que quer ser adulta, mas escrita com a simplicidade emocional e a redundância de um anime shounen genérico. O tom é sério, mas o texto raramente tem a sofisticação que tenta transmitir.

Missões que testam a paciência

A estrutura das missões também não ajuda. Muitas vezes, o progresso se resume a uma sequência burocrática de conversas. O jogo manda falar com um personagem. Você fala. Assiste a uma cena pouco interessante. A missão atualiza e manda falar com o mesmo personagem novamente, apenas para ativar outra etapa. Depois manda falar com outro NPC. E então retornar ao primeiro.

Essa repetição cria um ciclo artificial de progresso que raramente adiciona substância real à narrativa. Em alguns momentos, há até viagem rápida dentro da própria base segura, o que parece admitir que atravessar aquele espaço repetidamente seria cansativo demais.

Existe uma situação particularmente emblemática: você faz fast travel para um ponto do mapa, assiste a uma cutscene, e assim que ela termina o jogo pede para fazer fast travel para outro ponto do mapa, apenas para assistir outra cutscene. É uma estrutura que fragmenta o ritmo e reforça a sensação de que o jogador está sendo arrastado de cena em cena, em vez de realmente participar dos acontecimentos.

Clive e a falta de agência

Clive é um protagonista trágico, marcado por culpa e dever. Seu arco aborda responsabilidade, identidade e redenção, mas o jogo raramente permite que o jogador sinta qualquer influência real sobre sua trajetória. Ele reage ao destino, mais do que o molda.

Embora seu passado seja forte, falta carisma em diversos momentos. Muitos personagens o seguem com devoção automática, o que dificulta relações orgânicas. Personagens como Cid se destacam mais pela voz competente do que o próprio protagonista em vários trechos da campanha.

Combate em tempo real: divertido, mas superficial

A maior ruptura com a tradição da série está no combate totalmente em tempo real. Clive utiliza espada, esquivas, bloqueios e habilidades baseadas nos Eikons. No início, a fluidez impressiona. As animações são espetaculares e os combos têm forte apelo cinematográfico.

Mas a profundidade é limitada.

O sistema praticamente se resume a alternar entre seis habilidades principais, encaixar esquivas no tempo certo e repetir o ciclo até a barra de vida do inimigo acabar. Não há fraquezas elementais relevantes, não há efeitos de status significativos, não há gerenciamento estratégico de grupo, porque não existe grupo jogável. Elementos clássicos de RPG foram deixados de lado em favor de uma ação direta e simplificada.

O resultado é que o combate é divertido na maior parte do tempo, especialmente contra chefes, mas também é repetitivo e mal balanceado. A forma como você enfrenta o primeiro grande chefe é praticamente a mesma usada contra o chefe final. A progressão não transforma radicalmente a forma de jogar, apenas adiciona variações ao mesmo padrão.

Inimigos possuem barras de vida extensas, e muitas batalhas se tornam exercícios de resistência. Não há muita tomada de decisão tática, apenas execução repetida. É visualmente épico, mas mecanicamente raso.

Final Fantasy XVI entrega confrontos colossais, com direção cinematográfica impressionante e trilha sonora grandiosa. São momentos memoráveis, mas que funcionam mais como espetáculo interativo do que como sistemas profundos de combate.

Direção de arte e desempenho técnico

Visualmente, o jogo é impressionante. O mundo de Valisthea é detalhado, com paisagens amplas, figurinos elaborados e criaturas marcantes. A trilha sonora orquestral sustenta os momentos dramáticos com intensidade.

No aspecto técnico, o desempenho é sólido. Não há problemas significativos de bugs ou quedas graves de performance. As transições entre gameplay e cutscenes são suaves, e os tempos de carregamento são rápidos. Sendo honesto, esse era o mínimo que eu esperava de um jogo dessa franquia que é tão importante para a indústria.

Contudo, ainda há alguns detalhes negativos que merecem destaque e que acabam agravando a sensação de falta de refinamento em certas decisões de design. Mesmo após um bom tempo desde o lançamento, Final Fantasy XVI ainda não conta com opções de acessibilidade mais robustas para que os jogadores adaptem melhor a experiência ao seu estilo.

Um exemplo claro é o ponteiro flutuante que indica o próximo objetivo. Não é possível desabilitá-lo. Ele permanece ali, fixo, pairando na tela o tempo todo. Mesmo quando você está em um corredor óbvio, andando em linha reta, sem qualquer possibilidade real de se perder, a sinalização continua marcando presença, poluindo a interface e quebrando a imersão. Em um jogo que se esforça tanto para ser cinematográfico e sério, essa insistência visual soa desnecessária.

Outro ponto que pode parecer menor para alguns, mas que pesa para quem utiliza setups específicos, é a ausência de suporte a monitores widescreen. Em pleno momento em que cada vez mais jogadores adotam telas ultrawide, a falta de compatibilidade chama atenção negativamente e limita a experiência visual de um jogo que claramente aposta tanto na grandiosidade dos cenários. Sinceramente, aqui senti MUITA falta.

Há também uma escolha de interface que me intrigou bastante. Ao passar próximo de NPCs, mesmo sem interagir diretamente com eles, os diálogos aparecem automaticamente na lateral esquerda da tela, subindo como se fosse o chat de um jogo online. A intenção talvez seja dar sensação de mundo vivo, mas o resultado é o oposto.

Em vez de enriquecer a ambientação, essa sobreposição constante de texto distrai e compromete a imersão. Fica difícil não se perguntar o que aconteceu com os simples e charmosos balões de diálogo flutuando sobre a cabeça dos personagens, uma solução mais orgânica e menos invasiva. Square, me ajude a te ajudar.

São detalhes que, isoladamente, não destroem a experiência. Mas somados a problemas estruturais já discutidos, reforçam a sensação de que Final Fantasy XVI é um jogo tecnicamente polido, porém com decisões de design questionáveis que poderiam ter sido resolvidas com ajustes relativamente simples.

Grandeza, excesso e cansaço

Final Fantasy XVI alterna momentos de excelência cinematográfica com trechos arrastados e excessivamente expositivos. É um jogo que parece confiar demais em diálogos longos e missões burocráticas para sustentar sua narrativa.

No seu melhor, é um épico sombrio e emocionalmente intenso, com batalhas colossais e uma apresentação técnica exemplar. No seu pior, é repetitivo, inchado e narrativamente superficial.

Ele pode soar como um jogo que troca profundidade por grandiosidade. Impressiona pela escala, pelo visual e pelas batalhas de Eikons, mas deixa a sensação de que poderia ter sido mais enxuto, mais estratégico e mais confiante na inteligência do jogador.

Por mais que o jogo tenha sim alguns méritos, esse é definitivamente uma das experiências mais arrastadas e chatas que tive em um jogo nos últimos anos e não consigo ignorar o quão decepcionado fiquei com Final Fantasy 16.

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