Elden Ring: Entenda do que se trata e quem são os envolvidos

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Anunciado na E3 de 2019, Elden Ring ganhou a atenção de muitos jogadores e, por mais que em seu primeiro teaser não tenha aparecido nada de tão excepcional, dois grandes nomes envolvidos no projeto foram o suficiente para causar empolgação até em quem não é tão ligado assim no mundo dos games.

Hidetaka Miyazaki e George R. R. Martin são as duas principais mentes por trás de Elder Ring, game que para muitos já é o mais esperado desse inicio de geração. E caso você esteja por fora de quem são essas duas importantes peças e o porque de todos estarem aguardando por esse jogo, eu vou te explicar em detalhes à partir de agora.

O mestre por trás do estúdio

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A desenvolvedora japonesa FromSoftware foi fundada em 1986 e seu primeiro game, King’s Field, foi lançado em 1994 sendo um promissor começo para a empresa. Após ele, a FromSoftware se estabeleceu no mercado lançando outros jogos ambiciosos para suas épocas e fazendo parcerias com outras grandes empresas, como a Sony. Em 2004 Hidetaka Miyazaki entrou para o time do estúdio como designer na produção de mais um game da franquia Armored Core, segunda propriedade intelectual criada pela From, e que já havia alcançado certo sucesso no Japão.

Em seguida Miyazaki entrou como principal diretor no projeto que não veio a ser exatamente um grande sucesso, mas que podemos dizer que ele conseguiu ampliar o alcance em público e criticas do estúdio. Demon’s Souls, lançado em 2009 como exclusivo para Playstation 3. Aqui surgiu o souls-like, subgênero dos famosos RPG’s de ação que normalmente possuem como característica uma grande curva de aprendizagem. Cada inimigo costuma ter movimentos e ataques com velocidades e forças diferentes, onde até mesmo um simples inimigo comum do cenário pode te matar. Os cenários funcionam como grandes labirintos interligados, que exigem bastante exploração do jogador, o backtracking é algo comum. Ou seja, o ir e vir e abrir locais antes inexplorados é essencial para um bom souls-like, assim como em um metroidvania.

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Um forte elemento para o subgênero é o retorno dos inimigos que você já derrotou. Isso mesmo. Você passa horas para derrotar uma caveirinha fuleira com uma espada enferrujada. Chora, grita e esperneia de tanto ódio, e quando finalmente consegue passar aquele desafio e resolve usar o “check-point” do game, a tal caveira vai estar lá esperando por você novamente.

E por último, mas não menos importante para entender o que é um souls-like: você perderá algo importante da sua progressão. Esse é um ponto literalmente matador para muitos dos jogadores, que desistem dos jogos desse tipo por conta dessa mecânica em que você perde seus pontos ou algum item relevante a cada morte do seu personagem. Digamos que você está com 10 mil pontos dentro de algum game do gênero, e chega num local bem distante no mapa, e de difícil acesso, e morre ao lutar contra um inimigo qualquer. Pois bem, os seus pontos serão perdidos e você precisa enfrentar todos os inimigos novamente até chegar ao tal local, caso você queira recuperá-los. Alguns jogos até criam variações, como caso você morra de novo antes de recuperar os pontos eles serão perdidos para sempre. E até mesmo UM CRONÔMETRO para fazer você ficar desesperado e recuperar seus pontos o mais rápido possível. Enfim, acho que podemos terminar por aqui só deixando claro que um souls-like quer dizer: “ESSE JOGO É DIFÍCIL PRA CARAMBA“.

Apesar de todos os seus méritos por ser um ótimo game, Demon’s Souls em seu lançamento não agradou aos engravatados da Sony, por ter vendido menos que o esperado. Negócios são negócios. Dois anos depois, Miyazaki com mais sangue nos olhos, a fim de mostrar o porquê veio para à empresa, lançou o que hoje nós conhecemos como Dark Souls nos consoles Playstation 3, Xbox 360 e PC.

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Dark Souls trouxe todas as melhorias que ficaram faltando em seu projeto anterior, e mesmo sendo um game de nicho, conseguiu expandir ainda mais seu público, tornando possível o início de uma forte franquia onde foram desenvolvidos outras duas sequências. Dark Souls 2 foi lançado em 2014 e infelizmente Miyazaki não atuou como diretor do game, ficando apenas como um “supervisor” do projeto, pois o mesmo estava ocupado na direção de outro grande game que lançou no ano seguinte.

Bloodborne chegou às lojas em 2015 com exclusividade ao Playstation 4, e até hoje é tido para muitos como um dos melhores jogos da geração passada. Mesmo que suas mecânicas ainda sejam bem similares ao dos jogos anteriores da FromSoftware, o diretor aproveitou para experimentar algumas novidades e tornar a dinâmica do game mais ágil e forçar ao jogador que seja mais ofensivo.  Apesar de Demon’s Souls e Dark Souls já serem recheados de referências de livros de horror cósmico, em Bloodborne foi onde o diretor deixou as suas maiores homenagens ao escritor H.P. Lovecraft. Toda a ambientação gótica e vitoriana ajudam a sustentar e compor tudo o que o game quer transmitir de maneira explícita, e talvez seja o primeiro grande indício de que o Miyazaki queria MUITO trabalhar com um grande escritor ao seu lado.

A FromSoftware trabalha em um ritmo bem acelerado na produção das suas obras, e já em 2016 chegou aos fãs Dark Souls 3. Dessa vez com o seu criador de volta ao controle 100% da criação, no cargo de diretor. Desde o seu anúncio já era claro que esse seria o fim definitivo da trilogia iniciada em 2011. Ainda assim, alguns aguardam por um tipo de “sequência espiritual“, Dark Souls 3 é considerado por seus fãs um fechamento épico à altura do que é esperado quando se tem no projeto o nome de Hidetaka Miyazaki envolvido.

Em cada game lançado o estúdio busca trazer coisas novas e aumentar seu público. Com isso, a FromSoftware conseguiu uma parceria com a Actvision a fim de ter um maior suporte no marketing, além de ter acessos à estratégias para que seu próximo lançamento pudesse ser “mais acessível” e atrativo para os novos jogadores. Então, Sekiro: Shadows Die Twice aconteceu em 2019.

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Novamente o game trouxe em sua base conceitos já estabelecidos do que é um souls-like, porém com mecânicas novas o suficiente para frustrar (positivamente) até mesmo os fãs mais veteranos dos jogos anteriores do estúdio. Miyazaki alcançou novos patamares na dificuldade de Sekiro, além de ainda acrescentar mais velocidade e um gameplay com maior liberdade vertical. Já que o protagonista é um samurai que possui como uma das ferramentas um gancho, que pode ser lançado e facilitar o alcance de áreas ainda não exploradas.

Sekiro: Shadows Die Twice foi um grande sucesso comercial, e junto à aclamação dos críticos e público, o game também conseguiu vencer diversos prêmios importantes, sendo mais relevante o The Game Awards, como o melhor game daquele ano.

O mestre da literatura fantástica

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George R. R. Martin iniciou sua carreira como escritor por volta de 1970, onde ele se dedicava essencialmente à romances de ficção científica. Sua carreira nunca havia sito exatamente um mar de flores, e suas criações nunca haviam tido um grande boom de vendas, apesar de suas novelas serem reconhecidas e premiadas por entidades renomadas. Nos anos 80 Martin entrou em uma nova fase, onde passou a escrever roteiros para o seriado da televisão Além da Imaginação (1985) e A Bela e a Fera (1987), e também deu início ao seu trabalho como editor na série de livros Wild Cards. Com isso, o autor deixou de escrever seus livros por um longo período.

Em 1991 Martin voltou a desenvolver uma nova história, que em sua concepção original seria uma trilogia e seu nome é As Crônicas de Gelo e Fogo. E seu primeiro volume foi lançado em 1996 e intitulado como A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones). O projeto se expandiu e atualmente possui 5 livros publicados e futuramente ganhará mais 2 que promete ser o fechamento da história. Porém, esses dois últimos livros do escritor, ainda não possuem nenhuma previsão de quando chegaram as prateleiras.

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Durante o desenvolvimento de seu quinto livro que dava continuidade à saga, A Dança dos Dragões, o extraordinário na carreira de George R. R. Martin aconteceu. Quando a emissora HBO comprou os direitos de As Crônicas de Gelo e Fogo para transformar aquele épico em um seriado para a televisão. A produção da série teve início em 2007, e Martin entrou como co-produtor executivo e atuou também na escrita do roteiro de um episódio. Ele evitou se envolver mais, pois precisava focar em terminar o sexto livro.

O seriado foi ao ar em abril de 2011 e seu sucesso foi estrondoso. Game of Thrones da HBO alcançou números jamais vistos antes para um seriado em sua primeira temporada, e rendeu diversos prêmios aos envolvidos. tornando-se um dos grandes marcos para a cultura pop das últimas décadas. Os livros foram republicados e expandidos para diversos novos idiomas e um mercado de produtos licenciados tomou conta das carteiras do grande público.

Ao longo de 8 anos, tivemos como resultado dessa produção grandiosa 8 longas temporadas que teve seu último episódio transmitido em 2019. E por mais que sabemos o quão controverso foi o final da série produzida para a televisão, os livros originais ainda não tiveram o seu fim realizado, e a expectativa é enorme em cima do nome de George R. R. Martin.

Agora que você já sabe quem são os cabeças desse ambicioso projeto, é hora de falar sobre o game em si e como essa parceria está funcionando.

O encontro das lendas

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Em entrevista à IGN, Hidetaka Miyazaki disse que sempre foi um grande fã de George R. R. Martin e seus trabalhos. Para ele, As crônicas de Gelo e Fogo e a sua adaptação para a TV são obras-primas. Além de também gostar muito de Tuf Voyaging e Fever Dreams.

Miyazaki disse que resolveu entrar em contato com o escritor e que se surpreendeu o quão rápido o Martin aceitou participar do projeto. E até chegou a mencionar que um dos funcionários do escritor é um grande fã de Dark Souls.

Mesmo George R. R. Martin não sendo lá um grande conhecedor de jogos, e com tantos outros projetos acontecendo simultaneamente, é muito interessante ele ter aceitado tão rápido a entrar nesse mais novo desafio.

O que é o Elden Ring

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Bom, se você chegou até aqui já deve imaginar do que se trata Elden Ring. Sim, é um game e sim será um souls-like como todos os outros games pós Demon’s Souls da FromSoftware. Mas vamos mais fundo e dizer o que esse game promete trazer de novo e também qual o papel do criador de Game Of Thrones no projeto.

Além de já ser certo que será mais um jogo para acabar com vossa sanidade mental após tantas mortes, o grande atrativo de seu anúncio foi a novidade de que Elden Ring se trata de um game mundo aberto. A cada lançamento do estúdio, pequenas alterações nas mecânicas sempre foram adicionadas, o que ocasionalmente tornaram cada obra única dentro de suas proposta. Porém dentro de seu level design, a ideia base sempre foi a mesma de se ter os tais “labirintos” interligados. Mudar isso agora mexe diretamente em um dos pilares mais relevantes do que define um souls-like, e não há como não ficar empolgado para saber o que a FromSoftware está planejando.

Jogos de mundo aberto no geral costumam ser bem problemáticos para o meu gosto. Mapas gigantes onde não se têm muito o que fazer, missões secundárias fúteis e desnecessárias, e o que eu costumo mais odiar é o fato de você precisar ficar andando por muito tempo até chegar num local do mapa para iniciar alguma coisa ou pegar um simples item. Eu sei, a maioria das pessoas amam jogos de mundo aberto, e existem contados jogos que conseguiram desviar de alguns desses problemas que citei e entregar experiências mais interessantes aos jogadores. No contexto do Elden Ring, temos um estúdio onde em seu histórico os jogos possuem um level design que beira à perfeição. E só por conta disso, até eu que não sou muito chegado em games de mundo aberto, já estou 100% interessado em saber como a From vai se reinventar dessa vez.

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A segunda parte para explicar todo o hype que paira Elden Ring é o fato de que a narrativa nunca foi o ponto mais alto dos jogos criados por Hidetaka Miyazaki. Apesar de Demon’s Souls, Dark Souls e Bloodborne possuírem diversas e ricas histórias dentro de seus universos, isso nunca foi exatamente um ponto positivo enquanto você está jogando. Tudo é tão poético e propositalmente confuso, que é quase impossível de se entender o que está acontecendo em suas histórias. É comum o jogador utilizar a internet para conseguir acompanhar os porquês de tudo o que está rolando em tela. Em Bloodborne, por exemplo, era sempre muito engraçado quando eu encontrava um item novo e ia ler a descrição no menu para entender o efeito do tal item, eu simplesmente não conseguia entender. Ir para o Google ou o YouTube era a única solução já que o jogo forçava ser complexo até no momento de dar uma simples explicação do que era um item básico daquele universo. Isso só veio a melhorar bastante em Sekiro, onde o game segue uma história mais linear e narrada de uma maneira mais “tradicional”.

Acredito que essa experiência com Sekiro em 2019 tenha feito seu criador desejar mudar um pouco a maneira de se contar histórias dentro de seus jogos. Tendo visto que o game teve lá uma aceitação melhor com o público e recebido até o GOTY de 2020. E é aí que entra o nosso escritor, George R. R. Martin.

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Foi confirmado em entrevistas, que a história principal de Elden Ring foi criada pela FromSoftware, e que Martin na verdade ficou a cargo de toda a lore do game. Ou seja, tudo o que compõe o universo do game para torná-lo mais verossímil como histórias ou lendas narradas por npc’s ou encontradas em livros espalhados pelo mapa do game, e toda outra história que não for ser contada diretamente ao jogador. Logo, se antes os jogos da From eram carregados com histórias paralelas interessantes e confusas de se interpretar, em Elden Ring teremos um renomado escritor criando cada pedaço de tudo o que irá compor esse novo universo. E isso é maravilhoso.

Espero que você agora consiga entender o quão relevante Elden Ring pretende ser, e que esse texto tenha sido o suficiente para que você embarque nesse hype junto comigo. Temos um grande game vindo pela frente e só precisamos esperar por mais novidades até seu lançamento que ainda não possui uma data definida.

Assista ao trailer de Elden Ring:

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